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Ufla Júnior

O Fluxo de Caixa e sua importância na crise

15 de Abril de 2020 20:06

São inúmeros os fatores que compõem e determinam o sucesso de uma empresa, mas, se existe uma ferramenta que pode apontar com precisão o estado da saúde financeira da organização, é o Fluxo de Caixa. Além disso, utilizar essa técnica oferece ao empresário embasamento para a tomada de decisões, visto que, entender a movimentação de valores o permite ter controle e fazer previsões sobre o aspecto financeiro.
Um exemplo da importância de se dominar tal ferramenta é retratado no alto índice de mortalidade de empresas no Brasil logo nos primeiros anos de vida, que, segundo o SEBRAE, tem como um dos principais motivos uma gestão financeira ineficiente.

 

Mas afinal, o que é o Fluxo de Caixa?

Ele pode ser descrito como uma ferramenta de Gestão Financeira que tem a finalidade de relatar com detalhes a movimentação, entrada (receita) e saída (despesa) de dinheiro na empresa, ou seja, em um relatório de fluxo de caixa é feito o registro de todos os pagamentos e recebimentos previstos – seja para o dia, semana, mês, etc.

Dessa forma o empresário consegue apurar com clareza o quanto está ganhando, deixando de ganhar ou perdendo em cada um dos setores em que atua – essa é uma boa maneira de receber, em números, um feedback do que está funcionando ou não no seu empreendimento. Outro ponto é que, com um relatório desses em mãos, o dono da companhia terá diante de seus olhos um vislumbre do futuro financeiro dos próximos dias, semanas ou meses; isso facilita a definição de metas, embasa as estratégias e ampara decisões.

Entretanto, é importante ressaltar que essa ferramenta deve ser utilizada com muita atenção, uma vez que, descuidos, omissões ou erros na hora de apurar os dados podem ocasionar imensuráveis rombos no caixa da empresa, os quais são difíceis de rastrear; isso distorce a real situação financeira da organização e induz à tomada de decisões erradas, as quais podem, até mesmo, levar à falência.

 

Quais são alguns métodos para se realizar o Fluxo de Caixa?

É importante ressaltar que o objetivo desse tópico não é apontar qual dos métodos é o melhor ou o pior, visto que todos possuem seus pontos fortes e fracos, e, dessa forma, cabe a cada um decidir qual se adequa melhor à sua realidade, necessidade e expectativa.

  • Fluxo de Caixa Operacional

Esse é um método caracterizado por sua simplicidade, mas pouco indicado para quem busca maiores detalhes. Ele compreende o fluxo das receitas e despesas em um definido período e indica os resultados e variações no Capital de Giro.

  • Fluxo de Caixa Livre

É um pouco mais complexo e abrange entendimentos a curto, médio e longo prazo. Ele pode ser compreendido como um método que aponta para o saldo definitivo após a quitação de todos os compromissos financeiros.

  • Fluxo de Caixa Projetado

A principal diferença desse modelo é o fato de que ele é baseado na avaliação de referências passadas e de projeções para possíveis situações futuras.

  • Fluxo de Caixa Direto

Esse é um dos mais populares pois utiliza uma forma de organização (recebimentos e pagamentos classificados de acordo com a classe contábil) que permite um diagnóstico completo das movimentações. Com esse método é possível obter um diagnóstico bruto, visto que ele registra as receitas e despesas sem considerar nenhum desconto.

  • Fluxo de Caixa Indireto

É uma modalidade que se deve ter cautela, visto que pode distorcer a realidade. Ele não é baseado na análise apenas do fluxo de caixa pois leva-se em conta, também, os lucros e prejuízos do exercício; além das depreciações e amortizações.

  • Fluxo de Caixa Descontado

É mais utilizado em operações de compra ou venda de empresas do que no dia a dia, uma vez que ele é utilizado para apontar o valor da companhia. Para utilizar esse método deve-se realizar projeções do Fluxo de Caixa e descontar taxas de risco e depreciações.

 

A sua utilidade em tempos de crise

Crises surgem de forma inesperada e, em pouco tempo, mudam a dinâmica e as variáveis do mercado. Isso traz consequências arrasadoras para aquelas organizações que não possuem uma estrutura financeira sólida, em especial as pequenas e médias empresas. Mas então, o que fazer para se preparar e sobreviver a esses imprevistos?

Todas as decisões tomadas pelos gestores refletem diretamente no caixa, e consequentemente em seu fluxo, o que significa que para otimizar a parte financeira da empresa é necessário adotar boas políticas de gestão dos recursos. Uma organização pode operar sem lucros por muito tempo, desde que tenha um fluxo de caixa adequado – lembrando que ele deve ser detalhado e atualizado constantemente. Criar esse controle de forma organizada é essencial, pois assim é possível compreender as movimentações financeiras, ter consciência dos impactos da crise e prever como será a sobrevivência da companhia durante os próximos meses.

O Fluxo de Caixa utilizado com uma ferramenta gerencial, possibilita, por exemplo: a criação de um controle de contas visando identificar os gastos discricionários, os quais podem ser cortados; a visualização de quais custos fixos podem se tornar variáveis e aliviar as contas; a identificação de quais dívidas podem ser atrasadas ou renegociadas sem afetar drasticamente o negócio; o reconhecimento e o corte daqueles clientes com margem baixa e alto risco de inadimplência.

É importante pontuar que aumentar as vendas nem sempre é a solução, visto que algumas vendas demandam capital de giro, e a empresa pode não o ter. Apostar nisso gera, também, um aumento na demanda por mão de obra e matéria prima sem que se haja segurança alguma de que o pagamento vai ser realizado no tempo necessário. Além disso, caminhar para contratos com risco de inadimplência e baixa rentabilidade poderá comprometer ainda mais a saúde financeira.

Por fim, embora realizar demissões possa ser algo válido, vale considerar a possibilidade de férias coletivas, visto que com a demissão você poderá gerar mais gastos, como: pagamentos a serem feitos, futura recontratação desses funcionários ou treinamento de novos. A depender da seriedade da situação, a opção de reduzir a carga horária também se torna válida.

 

4 dicas sobre Fluxo de Caixa

  1. Registre todas as movimentações

É importante realizar o registro de todas as movimentações, independentemente de suas dimensões; desprezar valores e omiti-los pode ocasionar buracos no caixa da empresa que em questão de tempo viram rombos e podem culminar em sérios problemas, como a falência.

  1. Verifique o Fluxo de Caixa diariamente

Uma vez que diariamente ocorrem movimentações no caixa da empresa, é importante estar sempre atento para que tudo seja registrado corretamente, visando evitar problemas futuros. A correção de um erro dentro de 24 horas pode evitar um buraco, ou rombo, na contabilidade no fim do período.

  1. Avalie seu Capital de Giro

O Capital de Giro é referente à reserva de recursos destinados a cobrir as questões financeiras no decorrer do tempo de vida da empresa. É ideal que o Caixa da organização seja suficiente para suprir as necessidades dela por pelo menos alguns meses; há quem defenda a retenção de um Caixa suficiente para a companhia sobreviver por ao menos 3 meses sem receita nenhuma – essa é uma estratégia muito útil para momentos de crise severa como a ocasionada pela Covid-19, na qual muitas empresas reduziram drasticamente suas atividades.

  1. Pense em Curto e Longo Prazo

É comum, principalmente em empresas de menor porte, focar apenas no curto prazo. Embora seja necessário estar atento ao dia a dia, projeções a longo prazo são muito úteis para alinhar o futuro da organização, traçar metas, desenvolver estratégias e clarear decisões. Nesse aspecto o Fluxo de Caixa é um excelente aliado, como já dito anteriormente, visto que ele oferece uma perspectiva da saúde financeira.

 

Você pode baixar nossa planilha de fluxo de caixa no link abaixo!

PLANILHA-DE-CONTROLE-DE-CONTAS-A-PAGAR-E-RECEBER-2-1.xlsx (14 downloads)
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